quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010








Descrição

O velho adágio popular: "Deus escreve direito por linhas tortas" encontra sua perfeita aplicação na vida de Annie Besant.
De fato, materialista por princípio, essa renomaãa escritora, desde a sua juventude, encontrou sérios obstáculos, opostos pelo frio e inflexível ambiente inglês que, não obstante a sua conduta irrepreensível, aureolada pela luz da caridade em benefício dos que sofriam atrozmente nas baixas camadas sociais, não tolerava o seu ateísmo, publicamente confessado e, diga-se de passagem, heroicamente defendido.

E havia fortes razões para essa atitude, pois, segundo explica claramente nesta biografia, não foi o desejo de licença moral o que lhe deu o impulso que, finalmente, a lançou no ateísmo; foi o sentimento da justiça ultrajada, do direito insultado.
O seu problema, na tormenta da dúvida, era: "Existindo um Deus bom, como pôde criar a humanidade, sabendo previamente que a maioria dos homens sofreria para sempre as torturas do inferno? Existindo um Deus equitativo, como podia permitir a eternidade do pecado, de sorte que o mal fosse tão permanente como o bem e Satã reinasse no inferno tanto tempo como o Cristo no céu?"
Atormentada por esses e outros problemas cruéis, buscou solução em -árias obras de crentes e nada encontrou. Porém, houve alguém que lhe escreveu bondosamente: "Considero que o pecado é um fator absolutamente necessário para que o homem atinja a perfeição. Foi previsto e permitido como meio de chegar a um fim, como uma educação..."

E, ao lado de Charles Bradlaugh, que tanto lutou e sofreu, Annie Besant, socialista, materialista e ateia, fulminava os seus adversários com argumentos irretorquiveis, ora esgrimindo a sua pena de jornalista bri-Ihante e honesta, ora pronunciando famosas conferências em defesa dos seus princípios e dos oprimidos, algumas das quais terminavam em tumulto.

Da sua vida agitada e trabalhosa, narra a autora episódios emocionantes, que aumentam a nossa admiração por esse grande espírito, que não sabemos quando mais brilhou: se na luta ao lado dos materialistas, em benefício do povo sofredor e oprimido; se ao lado dos espiritualistas, quando, após o providencial encontro com a imortal Blavastky, iluminou-se-lhe o espírito, para trabalhar num outro setor, com mais ampla eficiência.

A sua vida foi um exemplo de perseverança, sinceridade, honestidade, combatida pelas mais cruéis aãversidades que, longe de trazer-lhe o desânimo, acrisolaram seu espírito, preparando-o para a grande missão que mais tarde havia de cumprir no seio da Sociedade Teosófica.

Nada mais queremos acrescentar a este prefácio, para não furtarmos ao leitor o sabor da narrativa -feita pela insigne escritora, e desejamos que sua vida pregressa, sempre orientada em prol da fraternidade humana, sirva de exemplo e de estímulo aos nossos estimados leitores.

Nenhum comentário:

Postar um comentário